ISSN 1982-1026

Boletim de História e Filosofia da Biologia

Volume 7, número 3

Setembro de 2013

 

Publicado pela Associação Brasileira de

Filosofia e História da Biologia (ABFHiB)

http://www.abfhib.org

 

  Sumário:

1.    Caderno de Resumos e fotos do Encontro de História e Filosofia da Biologia 2013

2.    Eleição da Diretoria e do Conselho da ABFHiB

3.    Eventos sobre história e filosofia da ciência

4.    Livros sobre história e filosofia da biologia

5.    Resenha de livro da área: The structural links between ecology, evolution and ethics: the virtuous epistemic circle (2013), editado por Donato Bergandi, por Fernando Dias de Avila-Pires

0B1. caderno de resumos e fotos do encontro de História e filosofia da Biologia 2013

 

O Encontro de História e Filosofia da Biologia 2013 (EHFB 2013), promovido pela Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB), foi realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com apoio do Grupo Fritz Müller-Desterro de Estudos em Filosofia e História da Biologia (UFSC), da Aliança Francesa de Florianópolis e da Fapesp, de 07 a 09 de agosto de 2013.

O Programa e o Caderno de Resumos, com os Resumos Ampliados dos trabalhos do Encontro de História e Filosofia da Biologia 2013 estão disponíveis no site da ABFHiB e podem ser consultados aqui (formato pdf).

 

Confira também as fotos do evento aqui.

 

 

 

O Encontro de História e Filosofia da Biologia 2014 será realizado na USP-Ribeirão Preto. Os informes detalhados serão fornecidos no próximo número deste Boletim, em dezembro.

1B2. ELEIÇÃO DA DIRETORIA E DO CONSELHO DA ABFHiB

Durante o Encontro de História e Filosofia da Biologia 2013, realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de 07 a 09 de agosto de 2013, foi realizada a eleição da nova Diretoria e Conselho da ABFHiB. O processo eleitoral, conforme havia sido comunicado previamente aos associados, foi precedido pela formação de uma Comissão Eleitoral formada pelas afiliadas Viviane Arruda do Carmo e Gerda Maisa Jensen. Houve consulta aos membros da ABFHiB para sugestões de candidatos, seguida de consulta às pessoas indicadas e, por fim, formação da cédula eleitoral e informe a todos os afiliados sobre os nomes dos candidatos e sobre o modo de votar. A eleição e apuração dos votos foram realizadas durante a Assembleia da ABFHiB, no dia 08 de agosto de 2013, na UFSC, com os seguintes resultados:

Presidente: Maria Elice Brzezinski Prestes (Universidade de São Paulo)

Vice-Presidente: Charbel Niño El-Hani (Universidade Federal da Bahia)

Secretário: Frederico Felipe de Almeida Faria (Grupo Fritz Müller-Desterro de Estudos em Filosofia e História da Biologia, Universidade Federal de Santa Catarina)

Tesoureira: Fernanda da Rocha Brando (Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto)


Conselheiros:
Anna Carolina Krebs Pereira Regner (Universidade do Vale do Rio dos Sinos)

Antonio Carlos Sequeira Fernandes (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional)

Lilian Al-Chueyr Pereira Martins (Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto)

Waldir Stefano (Universidade Presbiteriana Mackenzie)

 

A nova Diretoria e o novo Conselho, já empossados, têm mandatos de setembro de 2013 a agosto de 2015. Os membros eleitos agradecem os votos recebidos.

3. Eventos sobre história e filosofia da ciência

 

Dia Darwin: Fronteiras

Simpósio transdisciplinar organizado por diversos programas de pós-graduação e departamentos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Seu principal objetivo é promover a reflexão sobre temas fronteiriços entre as Ciências Biológicas e as Ciências Humanas, tendo a Teoria Evolutiva como ponto norteador. O evento está organizado nas seguintes temáticas:

1. Sistemática e Evolução: serão discutidos problemas e implicações filosóficas envolvidas no processo de classificação e sistematização dos seres vivos, com ênfase especial na Sistemática Filogenética (Cladismo).

2. Cognição e Comportamento: serão discutidas diferentes abordagens no estudo do comportamento animal e humano, em particular em sua interseção com a ética e evolução cultural.

3. Reducionismo e Emergência: serão discutidos os recentes avanços no debate em torno do reducionismo biológico, o programa teórico que busca explicar a biologia em seus termos físicos mais básicos (termodinâmica, mecânica quântica e adjacências). Nesse debate destacam-se as reflexões sobre a complexidade biológica, plasticidade e emergência de propriedades. 

Palestrantes:

Alex Rosemberg – Universidade de Duke

Carlos Alberto Bezerra Thomaz – Universidade de Brasília

Charbel Niño El-Hani – UFBA

Eva Jablonka – Universidade de Tel-Aviv

Jerzy André Brzozowski – Universidade Federal Fronteira Sul

Joel Velasco – Instituto de Tecnologia da California

Jorge Martinez-Contrera – Universidade de Iztapalapa

Mario de Pinna – Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo

Matt Haber – Universidade de Utah

Patrick Bateson – Universidade de Cambridge

Sofia Inês Albornoz Stein – Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Mais informações em: http://diadarwin.com.br/

 

2014 Meeting of the History of Science Society and PSA 2014

Evento conjunto formado pelo 2014 Meeting of the History of Science Society e o Twenty-Forth Biennial Meeting of the Philosophy of Science Association. Ocorrerá de 06 a 09 de novembro de 2014, em Chicago, Illinois.

Mais informações em: http://www.philsci.org/meetings/psa2014/index.html

 

6th International Conference of the European Society for the History of Science

Organizado pelo Interuniversity Centre for the History of Science and Technology (CIUHCT), centro de pesquisa associado à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, de 04 a 06 de setembro de 2014.

Mais informações em: http://www.eshs.org/

 

1st European Autumn School on History of Science and education

Evento organizado pela Societat Catalana d’Historia de la Ciencia i de la Tècnica (SCHCT), European Society for the History of Science (ESHS), Centre d’Història de la Ciència (CEHIC), Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), Càtedra Unesco en Tècnica i Cultura, Centre de Recerca per la Història de la Tència (CRHT), Universitat Politècnica de Calalunya (UPC). Será realizado em Barcelona, de 14 a 16 de novembro de 2013.

Mais informações em: http://schct.iec.cat/Web1AutumnSchool/FirstAutumnSchool.html

4. livros sobre HISTÓRIA E FILOSOFIA DA BIOLOGIA

 

Com o título Escritos sobre ciência e religião, de 2009, a editora da UNESP ofereceu ao público brasileiro 3 ensaios do naturalista Thomas Henry Huxley (1825-1895), traduzidos por Jézio Gutierre.

Conhecido por sua defesa veemente da teoria de evolução de Charles Darwin, Huxley foi um autor polêmico que se envolveu em outros debates de temas delicados à época. No prefácio escrito por Roberto de Andrade Martins temos notícias que contextualizam os ensaios aqui reunidos. Dois deles tratam das crenças religiosas e seu contraste com o pensamento científico e um deles versa sobre educação: “Sobre a conveniência de se aperfeiçoar o conhecimento natural”, “O natural e o sobrenatural” e “Ciência e Cultura”.

 

O novo livro de Gustavo Caponi, Réquien por el centauro: aproximación epistemológica a la biología evolucionaria del desarrollo, discute as mudanças que vêm ocorrendo na biologia evolucionária com a introdução da Biologia Evolucionária do Desenvolvimento, Evo-Devo, e suas articulações com a Teoria da Seleção Natural.

Para conhecer como o autor escreveu seu livro, vale a pena ler entrevista publicada na revista História, Ciências, Saúde — Manguinhos (periódico trimestral da Casa de Oswaldo Cruz) disponível em:

http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/a-evo-devo-vem-ampliar-a-catedral-da-biologia-evolucionaria/

 

O livro Jacques Monod: a 40 años de El azar y la necesidad, editado por Alan Rush, reúne 4 ensaios. O primeiro retoma a interpretação de Monod sobre o mundo biológico, o segundo relaciona a sua biologia com a termodinâmica de Prigogine, o terceiro propõe uma releitura de Monod a partir da etologia e o quarto, assinado pelo editor, pauta-se em Monod para promover reflexões ciência e epistemologia, ética, política e religião. A obra foi publicada em 2011 pelo Institut de Epistemología, Facultad de Filosofía y Letras, Universidad Nacional de Tucumán, Argentina.

5. Resenha de livro da área: “Ecologia, evolução e ética

Fernando Dias de Avila-Pires

Pesquisador Titular aposentado do Departamento de Medicina Tropical,

Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro

favila@matrix.com.br

 

BERGANDI, Donato (ed.). The structural links between ecology, evolution and ethics: the virtuous epistemic circle. Dordrecht: Springer, 2013. 179 p. (Boston Studies in the Philosophy of Science, 296)

 

 

Ecologia, evolução e ética

Esta coletânea de onze ensaios intitulada The structural links between ecology, evolution and ethics: the virtuous epistemic circle constitui o volume 296 da coleção Boston Studies in the Philosophy of Science.

Em maio de 2005, Donato Bergandi organizou um colóquio – workshop – no Muséum National d’Histoire Naturelle, Paris intitulado Between the Philosophy of Biology and the Philosophy of Ecology: evolutionism, ecologies and ethics (Entre a Filosofia da Biologia e a Filosofia da Ecologia: evolucionismo, ecologias e ética). O presente volume reúne as contribuições dos participantes convidados.

Bergandi (http://www.koyre.cnrs.fr/spip.php?article49) editor do volume, é maître de conférences em filosofia da ecologia do Museu de Paris é autor consagrado de uma bibliografia importante sobre métodos em ecologia, ética ambiental e aspectos éticos do desenvolvimento sustentável. Domina e aborda, com igual profundidade problemas de ordem econômica, social e filosófica relacionados ao meio ambiente. Suas análises profundas da questão holismo-reducionismo na filosofia da biologia e na metodologia ecológica questionam a posição de autores clássicos, que advogam a primeira, mas, na prática, utilizam a segunda. É o caso particular das comunidades bióticas/ecossistemas, qualificados como estruturas complexas que demandam abordagem holística, mas cuja descrição e análise são reduzidas ao nível taxonômico (1).

O primeiro capítulo, “Ecology, Evolution, Ethics: in search of a meta-paradigm: an introduction” (Ecologia, Evolução, Ética: em busca de um meta-paradigma: uma introdução), e o Epílogo, “The epistemic and practical circle in an evolutionary, ecologically sustainable society” (O círculo epistêmico e prático em uma sociedade evolutiva e ecologicamente sustentável), são de sua autoria. Na “Introdução”, partindo de uma breve abordagem histórica da ecologia, Bergandi mergulha na profunda análise da crise ambiental da atualidade que o leva a preconizar a necessidade de uma visão epistemológica abrangente que conduza, entre outras coisas, a um pensamento/ação políticos, que associe discurso e prática, que permita um desenvolvimentismo baseado no respeito à conservação da biodiversidade do planeta e do seu potencial evolutivo.

Michael Ruse (http://philosophy.fsu.edu/content/view/full/35805), professor de filosofia da Florida State University, Tallahasse, U.S.A., é autor de mais de uma dezena de livros sobre a natureza das ciências, biologia evolutiva, ética evolutiva e a natureza dos valores. Escreve o segundo capítulo, “Evolution versus Creation: a sibling rivalry?” (Evolução versus Criação: uma rivalidade entre irmãos?) no qual se propõe a demonstrar que o pensamento evolutivo constituiu, de início, uma resposta ao cristianismo do século XVIII. O autor resume o panorama do pensamento pré-darwinista naquele século e o impacto da Origem das Espécies. Em uma breve análise das propostas atuais dos defensores do criacionismo científico conclui que não pode ser considerado ciência: seus pressupostos não podem ser testados e distingue-se da ciência por basear-se em um ato sobrenatural de um Criador. Uma de suas características é a da certeza de conhecer todas as respostas e de não aceitar que suas idéias sejam falsificáveis e possam ser questionadas.

Jean Gayon, autor do capítulo “Evolution and Chance” (Evolução e acaso) (http://edph.univ-paris1.fr/gayon.html) é professor de história e filosofia da ciência e da tecnologia da Université Paris I (Panthéon, Sorbonne). Autor de obras sobre darwinismo, genética, evolução e seleção natural, dedica-se a pesquisas sobre filosofia da história e da biologia, em especial, da evolução e da biologia molecular. Gayon inicia sua discussão qualificando os três significados de chance: sorte (acontecimento inesperado e não planejado), acaso (eventos cujas causas ou fatores determinantes são desconhecidos) e contingência com respeito a um dado sistema teórico, que se aplica aos fenômenos fortuitos. Em termos da biologia evolutiva, passa a discutir os fenômenos das mutações, genetic drift, oscilação ou deriva genética, revolução genética no sentido de Mayr (1954) e os efeitos fortuitos que ocorrem no nível do ecossistema. Aborda, com propriedade e razoável profundidade, sua aplicação aos casos particulares da macroevolução (Gould, 1989) e da gênese da biodiversidade (Hubbell, 2001).

Jean-Marc Drouin (http://www.koyre.cnrs.fr/spip.php?article139) é professor de história e filosofia da ciência no Muséum National d’Histoire Naturelle, Paris. Autor do capítulo 4, “Some conceptions of time in Ecology” (Algumas concepções de tempo em Ecologia), tópico que deriva de suas pesquisas sobre a história da ecologia, a evolução da tradição naturalista nas ciências biológicas, a difusão popular e as conexões entre filosofia e história natural. Drouin inicia seu capítulo lembrando que quer se trate de analisar variações no tamanho de populações ou na composição de espécies em um biótopo ou ainda, alterações no meio físico, lidamos com um fator temporal. Processos ecológicos têm sido explicados em função de ciclos, de crescimento orgânico e, mais recentemente, com recurso à teoria da imprevisibilidade e do caos. Drouin relembra as discussões sobre a escala de tempo bíblico e o tempo geológico que lideraram as disputas acerca da teoria da evolução de Darwin. Menciona a discussão sobre sucessão e equilíbrio natural iniciada por Chandler Cowles (1899) e o conceito de clímax, posteriormente desenvolvido por Clements (1916), pioneiro da ideia de sucessão ecológica, por sua vez reinterpretada por Tansley (1935). Drouin termina seu histórico das teorias de mudanças ambientais reforçando a ideia de que as representações dos fenômenos ecológicos trouxeram distintas concepções de escala de tempo, até chegar às da imprevisibilidade e do caos.   

Bryan G. Norton (http://www.spp.gatech.edu/aboutus/faculty/BryanNorton) é professor de filosofia, ciência e tecnologia na School of Public Policy, Georgia Institute of Technology. Atualmente preocupa-se com a teoria da sustentabilidade e problemas de escala relacionados com questões ambientais. É o autor do capítulo 5, “Facts, values, and analogies: a Darwinian approach to environmental choice” (Fatos, valores e analogias: uma abordagem darwiniana ao acaso ambiental). Norton inicia sua argumentação relembrando que os escritos sobre ética ambiental abordam a dicotomia entre humanos e não-humanos e esforçam-se para escapar a um antropocentrismo em relação a valores. Ressalta que as tentativas de estender considerações morais aos seres não humanos têm sido inconclusivas. Em seu texto desenvolve uma proposta para definir nossas responsabilidades para com o ambiente e nossas respostas aos problemas que evocam as questões ambientais. Termina pelo exame da ética ambiental na teoria da evolução de Darwin e pela proposta de adoção da ideia de um manejo adaptativo da natureza para alcançar um modelo de desenvolvimento sustentável.

Patrick Blandin (http://www.patrickblandin.com/) é professor emérito do Muséum National d’Histoire Naturelle, Paris, onde ocupou vários cargos de direção e é especialista em ecologia de aranhas das savanas africanas. Dedica-se a outros aspectos da entomologia na América Tropical e a aspectos epistemológicos, históricos e éticos relacionados à conservação da natureza e da biodiversidade. No capítulo 6, “Towards EcoEvoEthics” (Para uma EcoEvoÉtica), Blandin descreve a evolução do conceito de equilíbrio ecológico e estabilidade das interações das espécies como fundamento do conservacionismo para o conceito de adaptabilidade às mudanças que ocorrem em um mundo em evolução. Mostra a necessidade de uma nova ética que leve em conta o valor da diversidade, frente ao debate entre antropocentrismo e biocentrismo. A EcoEvoEthics demonstra que nossas ações são positivas quando tendem a incrementar a capacidade da biosfera em evoluir.

J. Baird Callicott (http://philosophy.unt.edu/people/faculty/j-baird-callicott) escreve o capítulo 7, “Ecology and moral ontology” (Ecologia e ontologia moral). Callicott é professor de filosofia na University of North Texas. Co-editor da Encyclopedia of Environmental Ethics and Philosophy, é autor prolífico de livros, capítulos e artigos sobre filosofia e ética ambiental, filosofia da ecologia, política conservacionista e temas afins. No seu capítulo, Callicott historia os paradigmas sucessivos da ecologia, partindo do conceito de superorganismo para chegar ao de ecossistema e para retornar, na metade do século 20, ao de superorganismo. Mostra que a analogia ecossistema-organismo é artificial, enquanto que a analogia reversa, organismo-ecossistema é mais aceitável. Conclui que o homem e outros organismos podem ser concebidos como superecossistemas, o que implica a concepção de uma ontologia moral, que cria uma série de obrigações e deveres frente ao ambiente físico e biótico – e doméstico.

Tom Regan é professor de filosofia da North Carolina State University (http://www.lib.ncsu.edu/
animalrights/Animal_Rights/Ethics/index.html
). Ao longo de sua carreira recebeu numerosas distinções pela excelência de suas atividades didáticas, publicou centenas de artigos acadêmicos, publicou ou editou mais de vinte livros e recebeu prêmios internacionais por sua atividade como diretor e escritor de roteiros cinematográficos. Regan é o autor do capítulo 8, “Animal rights and environmental Ethics” (Direitos animais e Ética ambiental), no qual argumenta pela priorização dos direitos morais dos indivíduos e destaca os problemas relativos à aplicação das normas morais do homem às espécies animais não-humanas. Aborda a questão da questão da imoralidade das relações predador-presa e destaca a obrigação de preservar espécies raras e ameaçadas.

Robin Attfield (http://www.cardiff.ac.uk/encap/contactsandpeople/profiles/attfield-robin.html) é professor de filosofia na Cardiff University e lecionou em diversas universidades no país e no exterior. Autor de uma dezena de livros e editor, escreve o capítulo 9, “Reconciling individual and deeper environmentalist theories? An exploration” (Reconciliando teorias ambientais individuais e mais aprofundadas? Uma exploração). O autor examina a questão da combinação da ética individualista com uma ética holística ecocêntrica, isto é centrada no conceito de ecossistema. No seu artigo, contrapõe suas teorias à do valor pluralista de Alan Carter (2002), que utiliza diagramas multidimensionais para combinar valores a primeira vista incomensuráveis, tanto individualistas como ecocêntricos. Considera que o pluralismo da teoria de Carter envolve contradições e não provê critérios que permitam priorizar valores.

Catherine Larrère (http://www.univ-paris1.fr/recherche/page-perso/page/?tx_oxcspagepersonnel_
pi1[uid]=larrere
) é professora de filosofia na Université Paris I (Panthéon-Sorbonne) e interessa-se pelos aspectos éticos e políticos relacionados à crise ambiental, ao desenvolvimento de novas tecnologias para conservação, avaliação de riscos e a ética das nanotecnologias e biotecnologias. É autora de livros e artigos relacionados ao direito natural, utilização de recursos naturais e filosofia da natureza. No capítulo 10, que encerra as contribuições ao presente volume, discute “Two philosophies of the environmental crisis” (Duas filosofias da crise ambiental). Larrère inicia seu texto proclamando a existência de duas questões envolvidas nas reflexões filosóficas sobre as questões ambientais: uma referente à filosofia da natureza e outra, à filosofia da tecnologia. Ambas correntes teriam evoluído de maneira independente, sem estabelecerem pontos de contato e ignorando-se mutuamente. Devido ao surgimento e agravamento da crise ambiental e da emergência de novas tecnologias, a autora reconhece que se tornou impossível tratar natureza e tecnologias isoladamente, tornando-se a dualidade insustentável.

Donato Bergandi brinda-nos com o “Epilogue: The epistemic and practical circle in an evolutionary, ecollogically sustainable society” (Epílogo: O círculo epistêmico e prático de uma sociedade evolutiva e ecologicamente sustentável), no qual discute os principais desafios da atualidade: preservar ou conservar a natureza por ser um repositório de bens para a humanidade; escolher modos de vida que respeitem a biodiversidade e o potencial evolutivo do planeta; definir claramente o papel do conhecimento científico em uma sociedade democrática, que reconheça a importância do equilíbrio da biosfera.

A coletânea se destaca pela organização editorial que apresenta uma unidade singular na abordagem filosófica polivalente dos participantes do Colóquio, em que os capítulos se completam, em lugar de se sucederem em discussões desconexas, como sucede com frequência na publicação dos resultados de simpósios.

A abordagem dos temas fundamentais como evolução biológica, ecologia e ética resulta em análises profundas da coevolução dos sistemas naturais e sociais. A obra nos leva a reconsiderar a questão dos valores materiais e imateriais – já reconhecidos pelo direito e pelas organizações internacionais como a UNESCO, como patrimônio da humanidade.

A leitura desta obra reforça a ideia de que, se o homem não é o único organismo capaz de impactar a biosfera, é o único apto a compreender os problemas envolvidos na sua própria evolução, crescimento demográfico, desenvolvimento tecnológico e econômico, e capaz de criar mecanismos e políticas capazes de estabelecer relações éticas, estéticas e tecnologicamente viáveis para sua conservação. Ele tem condições de minorar os efeitos dos desastres naturais bem como aqueles provocados pelo incremento populacional, urbanização e desenvolvimento tecnológico.

É nossa expectativa que esta breve exposição desperte o interesse dos leitores pela leitura da obra que constitui um marco importante no pensamento filosófico contemporâneo e proporciona uma bela aventura intelectual.

 

Referências bibliográficas:

CARTER, Alan. Value-pluralist egalitarism. Journal of Philosophy, 99 (11): 577-599, 2002.

CLEMENTS, Frederic Edward. Plant succession: An analysis of the development of vegetation. Washington, D.C: Carnegie Institute of Washington, 1916.

COWLES, Henry Chandler. The ecological relations of the vegetation on the sand dunes of Lake Michigan. Botanical Gazette, 27: 95-308, 1899.

 DARWIN, Charles Robert. On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life. London: John Murray, 1859.

GOULD, Stephen Jay. Wonderful life. The Burgess shale and the nature of history. London: Hutchinson Radius, 1989.

HUBBELL, Stephen. The unified neutral theory of biodiversity and biogeography. Princeton: Princeton University Press, 2001.

MAYR, Ernst. Change of genetic environment and evolution. In HUXLEY, Julian; HARDY, Alister Clavering; FORD, Edmund Brisco, eds, Evolution as a process. London: Allen and Unwin, 1954.

TANSLEY, Arthur George. The use and abuse of vegetational concepts and terms. Ecology, 16 (3):284-307, 1945.

 

Nota de fim de texto:

(1) BERGANDI, Donato. Reductionist holism”: an oxymoron or a philosophical chimaera of E.P. Odum’s systems ecology? Ludus Vitalis 3 (5):145-180, 1995.

 

Citação bibliográfica deste artigo:

AVILA-PIRES, Fernando Dias de. Ecologia, evolução e ética. Boletim de História e Filosofia da Biologia 7 (3): 5-9, setembro de 2013. Versão online disponível em: <http://www.abfhib.org/Boletim-HFB-07-n3-Set-2013.pdf>. Acesso em dd/mm/aaaa. [colocar a data da acesso à acesso à versão online]

 

5BObjetivos do Boletim

O objetivo do “Boletim de História e Filosofia da Biologia” é divulgar informações de interesse dos pesquisadores e estudantes interessados em história e filosofia da Biologia. Com periodicidade trimestral, este Boletim traz informações atualizadas sobre congressos e outros eventos relevantes (no Brasil e no exterior), novas publicações da área (livros e revistas), informações sobre teses e dissertações, informes sobre as atividades da Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB), bem como artigos curtos, descritos abaixo.

Poderão ser publicados no “Boletim de História e Filosofia da Biologia” artigos assinados (curtos) que discutam temas gerais de interesse da área como, por exemplo, a metodologia da pesquisa em história e filosofia da biologia, ou o uso da história e filosofia da biologia no ensino; bibliografias comentadas sobre tópicos específicos de história e filosofia da biologia; e textos de divulgação. Podem também ser publicadas resenhas, assinadas, de livros recentes sobre história e/ou filosofia da biologia. Os artigos devem ser submetidos aos Editores deste Boletim (ver endereços no Expediente, ao final deste número). Todos os artigos submetidos devem ser elaborados tendo em vista os padrões acadêmicos usuais.

Boletim de História e Filosofia da Biologia    ISSN 1982-1026

Expediente. O “Boletim de História e Filosofia da Biologia” é uma publicação trimestral da Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB), iniciado em setembro de 2007, por Roberto de Andrade Martins. A partir de março de 2011 passou a ser editado por: Maria Elice Brzezinski Prestes, eprestes@ib.usp.br (Universidade de São Paulo); Lilian Al-Chueyr Pereira Martins, lilian.pereira.martins@gmail.com (Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto); Aldo Mellender de Araújo, aldo1806@gmail.com (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Waldir Stefano, stefano@mackenzie.br (Universidade Presbiteriana Mackenzie e Universidade Cruzeiro do Sul).

Endereço eletrônico: boletim@abfhib.org. URL: http://www.abfhib.org/Boletim/.

Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB)

Presidente: Maria Elice Brzezinski Prestes (Universidade de São Paulo)

Vice-Presidente: Charbel Niño El-Hani (Universidade Federal da Bahia)

Secretário: Frederico Felipe de Almeida Faria (Grupo Fritz Müller-Desterro de Estudos em Filosofia e História da Biologia, Universidade Federal de Santa Catarina)

Tesoureiro: Fernanda da Rocha Brando (Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto)

Conselho:

Anna Carolina Regner (Universidade do Vale dos Sinos)

Antonio Carlos Sequeira Fernandes (Universidade Federal do Rio de Janeiro/Museu Nacional)

Lilian Al-Chueyr Pereira Martins (Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto)

Waldir Stefano (Universidade Presbiteriana Mackenzie e Universidade Cruzeiro do Sul)

 

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