Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia

 

“Filosofia e História da Biologia”

 

Edição impressa: ISSN 1983-053X

Edição eletrônica: ISSN 2178-6224

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Filosofia e História da Biologia

"As concepções iniciais de Thomas Hunt Morgan acerca da evolução e hereditariedade"
Lilian Al-Chueyr Pereira Martins; Ana Paula de Oliveira Pereira de Morais Brito
Filosofia e História da Biologia, volume 1, páginas 174-189, 2006

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Resumo: Atualmente o nome de Thomas Hunt Morgan (1866-1945) é associado ao estabelecimento da teoria mendeliana-cromossômica e à genética de Drosophila. Essa teoria, da forma que foi concebida por Morgan e colaboradores a partir de 1910-11, era compatível com a concepção de um processo evolutivo lento e gradual como admitia Darwin e com o princípio da seleção natural. No entanto, a posição inicial de Morgan era bem diferente. Até 1910-11, Morgan, foi um forte opositor das teorias mendeliana e cromossômica, tendo escrito vários trabalhos onde as combatia. Por outro lado, sendo um admirador da “teoria da mutação” de Hugo de Vries, considerava que a evolução era principalmente saltacional e negava a importância da seleção natural no processo evolutivo. Seu livro Evolution and adaptation (1903) é considerado como um ataque às concepções evolutivas darwinianas, particularmente à seleção natural. Os estudos iniciais de Morgan (de 1905 a 1909) sobre a determinação de sexo levaram-no a conclusões bastante contraditórias. Ele oscilou entre aceitar herança citoplasmática, herança conforme padrões mendelianos e a idéia de que não havia relação entre cromossomos e determinação de sexo. O objetivo deste artigo é, a partir da análise dos trabalhos de Morgan sobre determinação de sexo e evolução, publicados até 1910, procurar averiguar qual era sua posição e em que evidências ele se baseava. Este estudo levou à conclusão de que a mudança de concepção de Morgan, tanto em relação à teoria cromossômica como em relação aos aspectos evolutivos, não pode ser explicada em nível conceitual.
Palavras-chave: história da genética; história da evolução; Morgan, Thomas Hunt

Thomas Hunt Morgan’s early conceptions on evolution and inheritance

Abstract: Nowadays Thomas Hunt Morgan (1866-1945) is associated both with genetics of Drosophila and the establishment of the Mendelian chromosome theory of heredity. This theory, as proposed by Morgan and his collaborators in 1910-1911, was compatible with a slow and gradual process of evolution by the principle of natural selection as conceived by Darwin. However, Morgan held completely different ideas in the early 20th century. He was a strong opponent of both the chromosome theory and Mendel’s principles of heredity and wrote several papers criticizing them. On the other hand, he was a strong supporter of Hugo de Vries’ mutation theory and thought that evolution occurred mainly by jumps, denying the importance of natural selection for the evolutionary process. His book Evolution and adaptation (1903) was regarded as an attack on Darwin’s evolutionary ideas, especially natural selection. Morgan’s early studies on sex determination (1905-1909) led to contradictory conclusions. He oscillated between the acceptance cytoplasmic inheritance, Mendelian inheritance, or the idea that there was no relation between chromosomes and sex-determination. The aim of this paper is to analyze Morgan’s publications dealing with evolution and sex-determination up to 1910, trying to elucidate his view point concerning those subjects and the evidence he used. This study led to the conclusion that Morgan’s change of view on evolution and heredity cannot be explained in conceptual terms.
Keywords: history of generics; history of evolution; Morgan, Thomas Hunt

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