Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia

 

“Filosofia e História da Biologia”

 

Edição impressa: ISSN 1983-053X

Edição eletrônica: ISSN 2178-6224

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Filosofia e História da Biologia

"Uma leitura biológica do 'De Anima' de Aristóteles"
Roberto de Andrade Martins; Lilian Al-Chueyr Pereira Martins
Filosofia e História da Biologia, volume 2, páginas 405-426, 2007

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Resumo: Este trabalho estuda o tratado aristotélico Sobre a alma (Peri Psyches), sob o ponto de vista de suas relações com o pensamento de Aristóteles a respeito dos seres vivos (ou seja, com um enfoque biológico). A "alma" (psyche), para Aristóteles, é a causa dos fenômenos vitais, podendo ter diferentes tipos ou níveis de complexidade. Ela é mais simples nos vegetais, tendo apenas as capacidades de nutrição, crescimento e reprodução (porém, para alguns vegetais e animais, não haveria o processo de reprodução). Nos animais a alma é, além disso, a causa da capacidade de ter sensações e do movimento. Nos seres humanos, soma-se ainda a capacidade de pensar. Esta pesquisa mostra que para compreender adequadamente as obras de Aristóteles sobre os animais é importante compreender sua teoria da alma e, inversamente, os estudos aristotélicos sobre história natural permitem compreender melhor, em nossa opinião, os reais objetivos e conceitos do De anima. A natureza da alma descrita por Aristóteles é muito diferente dos conceitos adotados pelos filósofos gregos anteriores, onde a psique aparece vinculada principalmente a preocupações sobre o que acontece com os seres humanos após a morte, com especulações sobre a transmigração, e com discussões éticas.
Palavras-chave: história da biologia; Aristóteles; De Anima; psique animal; história da zoologia; alma

A biological reading of Aristotle's 'De Anima'

Abstract: This paper studies the Aristotelian treatise On the Soul (Peri Psyches) from the point of view of its relationship with Aristotle's thought about living beings (that is, with a biological focus). The "soul" (psyche), for Aristotle, is the cause of all vital phenomena. It may occur in different types or levels of complexity. It is simpler in vegetables, with the sole capabilities of nutrition, growth and reproduction (though, for some plants and animals, Aristotle thought that there would be no process of reproduction). In animals, the soul is also the cause of the capacity of sensation and movement. In humans, there is a special soul endowed with the ability to think. This research shows that to properly understand the works of Aristotle on animals it is important to understand his theory of the soul; and conversely, the Aristotelian studies on natural history allow us to understand better, in our opinion, the real aims and concepts of the treatise De Anima. The nature of the soul as described by Aristotle is very different from the concepts formerly adopted by other Greek philosophers, where the psyche appears mainly linked to concerns about what happens to humans after death, with speculation about transmigration, and ethical discussions.
Keywords: history of biology; history of zoology; soul; Aristotle; animal psyche; De Anima

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