Modelos microscópicos de herança no século XIX: a teoria das estirpes de Francis Galton  

Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia

 

“Filosofia e História da Biologia”

 

Edição impressa: ISSN 1983-053X

Edição eletrônica: ISSN 2178-6224

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Filosofia e História da Biologia

"Modelos microscópicos de herança no século XIX: a teoria das estirpes de Francis Galton"
Andreza Polizello
Filosofia e História da Biologia, volume 3, páginas 41-54, 2008

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Resumo: Durante a segunda metade do século XIX, surgiram vários modelos microscópicos, que envolviam partículas, para explicar os processos de herança, tais como a hipótese da pangênese de Charles Darwin (1809-1882) e a teoria das estirpes de Francis Galton (1822-1911). O objetivo deste artigo é descrever a proposta de Galton comparando-a à hipótese da pangênese de Darwin. Esta pesquisa mostrou que Galton, de modo análogo a Darwin, admitiu a existência de partículas, que denominou “germes”. Seu ponto de partida foi a hipótese da pangênese que foi, então, submetida a um teste. Os germes, como as gêmulas de Darwin, seriam capazes de crescer e se dividir. Cada tipo de germe seria o representante de um tipo específico de tecido ou órgão e sua reunião formaria uma estirpe. Segundo Galton, o ovo conteria todos os germes necessários para a formação do corpo, além de outros que não se manifestariam, sendo, porém, transmitidos a geração seguinte. O conjunto total de germes, Galton chamou de “estirpe”. Em cada geração, uma parte da estirpe se desenvolvia enquanto outra ficava reservada para formar a estirpe da geração seguinte. Porém, ao contrário das gêmulas, os germes não circulariam pelo corpo. Excluindo esse aspecto, ambas as propostas eram bastante semelhantes.
Palavras-chave: história da biologia; Galton, Francis; teoria das estirpes; Darwin, Charles; hipótese da pangênese.

Microscopical models of heredity in the 19th century: Galton’s theory of stirps

Abstract: During the second half of the 19th century there arose several microscopical models, involving particles, to explain the processes of inheritance, such as Charles Darwin’s hypothesis of pangenesis and Francis Galton’s theory of stirps.  The aim of this paper is to describe Galton’ proposal and to compare it to Darwin’s hypothesis of pangenesis. This research showed that Galton, in the same way as Darwin, admitted the existence of particles, which he called “germs”. Besides that, he started from Darwin’s hypothesis of pangenesis testing it. The germs, as Darwin’s gemules, would be able to grow and to split. Each kind of germ would be representative of a specific kind of tissue or organ. According to Galton, the egg would contain all the germs which were necessary for building the body, as well as others which were not manifest, in spite of being transmitted to the next generation. The whole set of germs was named “stirp” by Galton. In each generation, only part of the stirp would develop, the other one would be reserved to form the stirp of the next generation. Unlike the gemules, the germs would not circulate in the body, however. Except for this feature, both proposals were quite similar.
Keywords: history of biology; Galton, Francis; theory of stirps; Darwin, Charles; pangenesis.

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