A longevidade segundo a concepção de vida de Francis Bacon  

Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia

 

“Filosofia e História da Biologia”

 

Edição impressa: ISSN 1983-053X

Edição eletrônica: ISSN 2178-6224

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Filosofia e História da Biologia

"A longevidade segundo a concepção de vida de Francis Bacon"
Luciana Zaterka
Filosofia e História da Biologia, volume 5, número 1, páginas 127-140, 2010

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Resumo: A questão da longevidade, ou se preferirmos, a tentativa de prolongar a duração da vida é um dos aspectos centrais do programa baconiano de reforma do conhecimento. Para tanto teremos que compreender dois aspectos fundamentais da sua filosofia natural. Inicialmente, que as preocupações de Francis Bacon se inscrevem claramente num âmbito teológico. Bacon, assim como muitos puritanos, acreditava que Deus criou os homens sem imperfeições e assim a doença, o envelhecimento e a morte foram adquiridos depois que Adão comeu o fruto proibido. Em segundo lugar, teremos que analisar a teoria da matéria baconiana. Para o filósofo, a matéria é composta de espíritos e matéria tangível. Os espíritos são os constituintes voláteis pertencentes a todos os corpos naturais; são materiais, mas extremamente sutis, possuem apetites, desejos e impulsos; no limite, são os constituintes ativos da matéria. Em contrapartida, a matéria tangível é passiva, fria e inerte. Ora, se Bacon acredita que todos os corpos são compostos de espíritos e estes são as partículas ativas da matéria, a investigação sobre a longevidade humana deve começar por uma investigação sobre os próprios espíritos.
Palavras-chave: Francis Bacon; século XVII; filosofia natural; longevidade

Longevity, according to the Francis Bacon’s concept of life

Abstract: The issue of longevity or the attempt to prolong the duration of life is a main point of the Francis Bacon’s agenda of reform of knowledge. For understanding this point we must grasp two fundamental aspects of his natural philosophy. First, that Bacon’s concerns are included in a theological context. Bacon, like many Puritans, believed that God created men without imperfections, and thus, disease, aging and death were acquired after Adam ate the forbidden fruit. Secondly, we must analyze Bacon’s theory of matter. For this philosopher, matter is composed of spirits and tangible matter. The spirits are the volatile constituents included in all natural bodies, they are material, but extremely subtle, they have appetites, desires and impulses, so, they are the active constituents of matter. In contrast, tangible matter is passive, cold and inert. If indeed Bacon believes that all bodies are composed of spirits and these are the active particles of matter, the investigation on human longevity must begin with an investigation on their spirits.
Key-words: Francis Bacon; seventeenth century; natural philosophy; longevity

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