Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia

 

“Filosofia e História da Biologia”

 

Edição impressa: ISSN 1983-053X

Edição eletrônica: ISSN 2178-6224

Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia
Apresentação Edições Equipe Normas Aquisição Busca

Filosofia e História da Biologia

"Butterflies at the Mouth of Hell: traces of biology of two species of Nymphalidae (Lepidoptera) in European paintings of the fifteenth century"
Alcimar do Lago Carvalho
Filosofia e História da Biologia, volume 5, número 2, páginas 177-193, 2010

artigo em formato PDF

Abstract: The main focus of this study is the three-part altar piece "The Last Judgment" of the Flemish painter Hans Memling (ca. 1430-1494), exhibited in the Muzeum Narodowe, Gdansk, Poland. In that work demons were painted, sui generis, with wings of dark butterflies compatible with those of the nymphalidae Aglais urticae (small tortoiseshell) and Vanessa atalanta (red admiral), species widely distributed in Europe. Coincidentally, the larvae of both feed mainly on Urtica dioica (nettle), a plant traditionally used by monks and Catholic saints in practices of self-flagellation. This feature connects these butterflies with the sin of lust and the fires of hell portrayed in the right panel. The position of the wings of V. atalanta on the buttocks of one of the demons can be a reference to the habits of the species landing on excrements. Biological knowledge arising from empirical observation was probably taken into account by Memling in choosing individuals of these species as models, distinguishing such nymphalidae from other butterflies with previously established positive symbolism, as in the case of whitish pieridae and papilionidae.
Key-words: iconography; iconology; Christian art; insects; demons; Memling, Hans

Borboletas na Boca do Inferno: traços da biologia de duas espécies de Nymphalidae (Lepidoptera) em pinturas européias do século XV

Resumo: O principal objeto do presente estudo refere-se ao quadro tríptico “O Juízo Final” do pintor flamengo Hans Memling (ca. 1430-1494), exposto no Muzeum Narodowe, Gdansk, Polônia. Nessa obra, demônios foram pintados, de forma sui generis, com asas de borboletas escuras perfeitamente compatíveis com as dos ninfalídeos Aglais urticae e Vanessa atalanta, espécies de ampla distribuição na Europa. Coincidentemente, as larvas de ambas alimentam-se principalmente de Urtica dioica (urtiga), planta tradicionalmente utilizada por monges e santos católicos em práticas de autoflagelação. Tal característica relaciona essas borboletas com o pecado da luxúria e as chamas do inferno retratadas no painel direito. A posição das asas de V. atalanta nas nádegas de um dos demônios, impar na iconografia do período, pode se tratar de uma referência aos hábitos da espécie de pousar sobre excrementos. Conhecimentos biológicos advindos de observação empírica foram provavelmente considerados por Memling para a escolha desses modelos, discriminando tais ninfalídeos de outras borboletas com simbolismo positivo então estabelecido, como no caso dos pierídeos e papilionídeos de cor clara.
Palavras-chave: iconografia; iconologia; Arte Cristã; insetos; demônios; Memling, Hans

Para ter acesso aos sumários de todos os volumes da revista Filosofia e História da Biologia, clique aqui.

 Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB)