Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia

 

“Filosofia e História da Biologia”

 

Edição impressa: ISSN 1983-053X

Edição eletrônica: ISSN 2178-6224

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Filosofia e História da Biologia


"Criacionismos, naturalismos e a prática da ciência"
Frederik Moreira dos Santos, Charbel N. El-Hani
Filosofia e História da Biologia, v. 8, n. 2, p. 223-252, 2013.

artigo em formato PDF

Resumo: A motivação para a escrita deste artigo teve origem no grande número de publicações, algumas no campo criacionista e outras no campo filosófico, que se debruçam sobre o tema ciência e naturalismo. Estes textos trazem em sua grande maioria uma crítica à postura naturalista. Segundo seus autores, o ensino de uma “ciência naturalista” seria uma forma de propagar visões ideológicas unilaterais através de um rótulo científico. Argumentamos que os temores de religiosos criacionistas diante do pano de fundo naturalista das ciências naturais (e do ensino de ciências) não se justificam perante uma versão de Naturalismo que defenderemos aqui, um Naturalismo Pragmático que não está relacionado necessariamente com qualquer tipo específico de visão metafísica de fundo, seja materialista, monista ou dualista (ainda que possa ser – e frequentemente seja – assumido como uma crença por cientistas). Não é nossa intenção defender que seja possível ou necessário expurgar posicionamentos metafísicos ou ontológicos das teorias científicas. Finalmente, mostraremos que grande parte do conflito entre as visões de mundo de fundo ocorrem no campo político, devido a uma postura totalitarista quanto à interpretação do mundo natural ou do mundo da vida.
Palavras-chave: criacionismos; ensino de Ciências; metafísica; naturalismos; ontologia; pensamento totalitário

Creationisms, naturalisms and the practice of science

Abstract: Our motivation to write this paper came from the large number of creationist and philosophical publications addressing the issue of science and naturalism. Most of such publications criticize a naturalist stance. According to their authors, the teaching of a “naturalist science” would be a strategy to spread unilateral ideological views under a scientific guise. We argue that the creationists’ fears regarding the naturalist background of the natural sciences (and science teaching) are not justified before the variety of naturalism defended here, namely, a pragmatic one. This sort of naturalism is not necessarily related to any metaphysical background view, either materialist, monist or dualist (even though it might be – and often is – assumed by scientists as a belief). We will not advocate here that it is possible or necessary to purge metaphysical or ontological commitments from scientific theories. Finally, we will show that most of the conflict between such background worldviews take place in the ethical and political field, due to a totalitarian perspective towards the interpretation of the natural or living world.
Keywords: creationisms; science education; metaphysics; naturalisms; ontology; totalitarian thinking

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