ISSN 1982-1026

Boletim de História e Filosofia da Biologia

Publicado pela Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB)

Livros publicados

“Raça é amplamente compreendida como uma categoria social sem base genética, e ainda assim, noções biológicas de raça continuam a ressurgir. Tentativas de corrigir disparidades na pesquisa biomédica enfatizam o recrutamento de participantes de testes clínicos que representem racialmente a população. O uso forense de evidências de DNA afirma ser capaz de identificar a raça de um possível suspeito. Empresas de rastreamento de ancestralidade genética explicam os resultados dos testes a seus clientes usando categorias raciais. Fabricantes de bancos de dados genômicos buscam garantir a inclusão racial. 

Jonathan Kahn argumenta que esse impasse surge de uma fonte surpreendente: o conceito de diversidade. Abrangendo áreas como o direito, a política, a ciência e a medicina, ele analisa o esmaecimento da distinção entre os entendimentos sociais de raça e as compreensões biológicas da variação genética. Segundo Kahn, como a diversidade se tornou um conceito central em múltiplos domínios, ela permite uma confusão entre essas ideias contraditórias, entrelaçando visões sociais e biológicas de raça. Ao traçar os históricos paralelos do Projeto Genoma Humano, dos esforços de diversificação da força de trabalho, dos casos da Suprema Corte dos EUA sobre ação afirmativa, da ascensão da medicina de precisão e dos testes de vacinas contra a COVID-19, entre outros, ele mostra como a diversidade é frequentemente usada de maneiras que acabam por biologizar a raça ou enfraquecer os esforços para combater a injustiça racial. Ao combinar crítica incisiva e uma visão interdisciplinar, The Uses of Diversity oferece uma nova e provocadora perspectiva sobre um dos conceitos mais controversos da atualidade.“(Da Editora)

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The Organism

 

Jan Baedke

Cambridge University Press, 2025. 75p.

“Os organismos são fundamentais para a biologia. No entanto, conceituar a unidade do organismo não é fácil.

Este Element discute os desafios de basear o raciocínio e a prática biológica no conceito de organismo. Depois de muitas décadas dominado pelo paradigma do gene, o organismo está retornando à biologia às ciências biomédicas. É novamente reconhecido como uma unidade causalmente eficaz, autônoma e ativa que transcende as propriedades dos genes e afeta seu próprio desenvolvimento e evolução – especialmente em áreas como epigenética, teoria da construção de nicho e biologia evolutiva do desenvolvimento. Este Element investiga esses desenvolvimentos a partir de uma perspectiva integrada entre história e filosofia da ciência. Ele se concentra nas dimensões conceituais, bioteóricas e históricas, bem como nos aspectos sociopolíticos e antropológicos do atual ‘retorno do organismo’. Em particular, ele discute soluções para os desafios das biociências centradas em organismos no século XXI. Este título também está disponível em Acesso Aberto no Cambridge Core“. (Da Editora)
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The Hundred Years’ Trial Law, Evolution, and the Long Shadow of Scopes v. Tennessee

 

Alexander Gouzoules & Harold Gouzoules

John Hopkins University Press, 2025. 352 p.

Um novo relato do duradouro legado cultural, jurídico e científico do Julgamento Scopes de 1925.

Em The Hundred Years’ Trial, Alexander e Harold Gouzoules exploram os impactos de um século decorrentes do histórico Julgamento de Scopes, o Monkey Trial de 1925, começando pelo desenvolvimento da teoria da evolução e acompanhando os conflitos culturais e jurídicos que se seguiram nos Estados Unidos. Por meio de uma combinação de história jurídica, investigação científica e análise cultural, os autores reexaminam como esse julgamento emblemático continua sendo um momento decisivo na formação dos debates modernos sobre ciência, religião e educação.

O Julgamento de Scopes tornou-se um símbolo de um embate cultural mais amplo, no qual questões sobre a liberdade acadêmica, o papel da religião na vida pública e os limites da intervenção do Estado são debatidas intensamente. Este livro revela as camadas complexas desse conflito, oferecendo aos leitores uma perspectiva mais ampla que vai além do drama no tribunal. Ao traçar os legados de Clarence Darrow e William Jennings Bryan, os autores analisam como as consequências do julgamento reverberaram em casos posteriores da Suprema Corte e moldaram políticas públicas e padrões educacionais até o século XXI. Além disso, mostram como o debate em torno da evolução contribuiu para discussões controversas — não apenas sobre a aceitação da própria teoria evolucionista, mas também sobre novas reivindicações e interpretações que continuam a gerar escrutínio público e jurídico.

Cem anos depois, as tensões entre ciência e crença religiosa que ficaram tão evidentes no julgamento de Scopes não apenas persistem, como também se tornaram cada vez mais relevantes para as questões culturais recorrentes na consciência política americana: aborto, mudança climática e vacinas. The Hundred Years’ Trial é essencial para compreender não apenas como chegamos ao nosso momento político atual, mas também para refletir sobre os próximos passos na comunicação científica a um público cético.” (Da Editora).

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Where Biology Ends and Bias Begins Lessons on Belonging from Our DNA

Shoumita Dasgupta

University of California Press, 2025. 286 p.

Uma geneticista e educadora antirracista de renome internacional apresenta uma poderosa refutação, baseada na ciência, às falácias mais comuns sobre as diferenças humanas.

Hoje em dia médicos bem-intencionados, pais e até cientistas frequentemente disseminam informações equivocadas sobre o que a biologia pode — e não pode — nos dizer sobre nossos corpos, mentes e identidades. Neste livro acessível e que desmistifica mitos, a geneticista Shoumita Dasgupta recorre às descobertas científicas mais recentes para corrigir equívocos comuns sobre o quanto de nossas identidades sociais estão realmente enraizadas na genética.

Dasgupta entrelaça história, acontecimentos atuais e ciência de ponta para ilustrar como conceitos genéticos são frequentemente mal utilizados — e como podemos interpretar evidências científicas de maneira socialmente responsável. Com uma abordagem unificadora e interseccional que desvincula a biologia do preconceito, o livro vai além das categorias de raça e gênero, incluindo também orientação sexual, deficiência e classe social. Where Biology Ends and Bias Begins é um recurso inestimável e fortalecedor para biólogos, geneticistas, educadores em ciências e qualquer pessoa engajada no combate aos vieses em sua comunidade.(Da Editora).

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